Para colocar medidas na minha dificuldade em tornar a vida mais simplificada, já vi o quanto seria difícil eu fazer uma foto sem 'maquiagem'.
Primeiramente eu pensei:
- Claro, um filtro no Instagram deixaria minha foto melhor.
- Claro, eu teria que esconder aquele meu livro que eu li com 18 anos e morro de vergonha dele - Crepúsculo.
- Claro, eu também deixaria mais visíveis livros de design e autores consagrados.
- Claro, teria que limpar tudo. E se a minha mãe ver a foto e mandar um comentário sobre como a estante está com poeira?
Enfim, são inúmeros motivos pelos quais eu maquiaria a minha foto da estante.
Mas essa atitude de maquiar, não é a que fazemos todos os dias, com nós e todas as nossas extensões que passam uma imagem sobre quem somos?
Ano passado fiz um curso sobre Arquétipos e Comportamentos de Consumo onde o professor explicou como as pessoas usam as marcas como parte de quem somos e principalmente, o que queremos que as outras pessoas interpretem quem somos. - por isso a minha vergonha em mostrar que eu li o tal livro (e adorei) em algum momento da minha vida.
No mesmo curso, o professor também levantou a questão de 'Porque decoramos a casa?'
Qual a funcionalidade de adicionar quadros, velas, vasos e bugigangas sob as quatro paredes que servem primordialmente para proteção?
Existe uma explicação antropológica enorme para isso, mas eu resolvi resumir que é pelo mesmo motivo que 'maquiamos' todas as coisas que passaram uma imagem sobre nós, seja de cuidado, zelo, cultura, limpeza...
É natural se importar em passar uma imagem mais ou menos correta sobre quem nós queremos ser.
Ninguém precisa se culpar em arrumar e limpar a casa para receber visitas, ou colocar algum elemento à mostra que valorize quem você é. É muito legal chegar e descobrir que cada coisinha da casa é uma extensão do que os moradores são.
E no final a maquiagem será natural se houver realidade na intenção.


Nenhum comentário:
Postar um comentário